Mesmo com a queda da obrigatoriedade do diploma há quase três anos, o
jornalismo sobreviveu à profecia de que seu fim estaria próximo, e mantém 70
mil estudantes matriculados em todo o país.
Uma
vida sem rotina, com certo glamour, presença garantida nos mais variados
eventos, influência. Um pouquinho de fama, talvez. O trabalho frenético em algum
grande jornal, revista ou emissora de TV, mas também um desejo uníssono de
ajudar, de alguma forma, a mudar o mundo e o rumo dos acontecimentos. Esse é
quase um retrato de muitos dos 70 mil estudantes matriculados nos cerca de 370
cursos de graduação em jornalismo, às vésperas de entrar ou no início da
faculdade.
Claro
que muito desse sonho inicial se esvai logo no início do curso. E pouco resta
ao final dos quatro anos de universidade. Mas, mesmo com a queda da
obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão, por meio de decisão
do Superior Tribunal Federal (STF), em 2009, diferentemente do profetizado no
impacto da decisão, a procura pela graduação em jornalismo se mantém firme e
forte. E os sonhos e objetivos dos estudantes também.
Neste
mês, em que se comemora o “Dia do Jornalista”, IMPRENSA ouviu estudantes de
diversas partes do Brasil, bem como profissionais experimentados, buscando
traçar o mercado vislumbrado por eles e as necessidades que este mesmo mercado
acredita serem indispensáveis para que tenham uma boa atuação. Os veteranos
concordam que o perfil dos jornalistas mudou e que os profissionais devem estar
cada vez mais atentos às transformações do mundo, mas que os preceitos básicos
da reportagem ainda organizam a atividade diária dos jornalistas.
PRIMEIROS PASSOS
“Era
muito bom em redação” ou “sempre gostei de falar e me comunicar”, “sempre quis
mostrar a verdade dos fatos” e “sempre gostei da ideia de ter um dever com a
sociedade” são frases comuns de estudantes que acabaram de ingressar na
faculdade, mas, para ser aquele que “faz a diferença”, é necessário muito mais
que jogo de cintura, precisa ter uma dose muito grande de cultura e bom
investimento em formação, além dos muros da faculdade.
“No
1º ano, quando entrei, não tinha muita noção do que ia encontrar aqui, mas
percebi que é um curso muito teórico, com grande peso nessa parte. A gente vê
as duas coisas: a prática, que são os laboratórios, e teorias, muitas que
criticam o jornalismo também. Mas entrei pensando que sairia bem preparado para
o mercado. A gente tem essa preparação, mas não tanto quanto eu achava. A gente
tem que correr muito atrás, por conta própria”, diz Paulo Henrique Gadelha, 27
anos, estudante do 4º ano da Universidade Federal do Pará (UFPA).
Rosiane
Siqueira, aluna do 2º ano da Escola de Comunicação e Artes (ECA), da
Universidade de São Paulo (USP), também justifica sua escolha. “Escolhi o
jornalismo porque gosto muito das palavras, expressões e de como elas podem
dizer mais do que acreditamos. Desde pequena estudei línguas e já achava a
comunicação algo muito legal. No colégio, descobri que adorava escrever. Sou
muito curiosa, tenho gostos dos mais variados, de futebol à religião, então
escolhi o jornalismo por poder falar de tudo, de várias formas, e criar
sensações e impressões nas pessoas”, diz.
No
entanto, passado o primeiro ano de curso, a estudante reconhece que as
percepções mudam. “Entrei sonhando com sala de redações imensas, em chegar a
nomes como Willian Bonner ou Marcelo Rubens Paiva. A situação de trabalho do
jornalista não é fácil, anda muito problemática quanto a direitos e
legislações. Minha expectativa mudou quanto a isso, mas não se tornou inferior,
apenas realista.”
Marcelle Carvalho
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